Ocupar um cargo de liderança por si só já é um desafio, independentemente do tempo de carreira, segmento de mercado ou tamanho da equipe. Entretanto, para líderes de primeira viagem, a tarefa é ainda mais complexa — afinal, além de todas as responsabilidades, ainda existe aquela insegurança (que é completamente natural) e o período de adequação à nova função.
E não só isso, mas também existe certa desinformação quanto à função de uma pessoa em cargo de liderança, até mesmo dentro das empresas. Para muitos, o cargo envolve apenas gerenciar um grupo de pessoas, dando ordens e cobrando por resultados. Entretanto, não é bem assim.
No artigo “What Makes a Great Leader?”¹, escrito por Linda A. Hill, Emily Tedards, Jason Wild, e Karl Weber, há um trecho que acho muito esclarecedor:
“Quando as pessoas assumem cargos de liderança pela primeira vez, a maioria acredita que seu poder vem de sua posição na hierarquia da empresa. Mas elas rapidamente descobrem que seus liderados, principalmente os mais talentosos, não seguem ordens. E apesar de pensarem que obediência é o que querem, comprometimento é o que precisam.”
Dar ordens e micro gerenciar as pessoas só faz com que elas se sintam menos confiantes, menos empoderadas, menos motivadas e menos engajadas com tudo relacionado ao seu trabalho — uma vez que, se estão ali apenas para executar comandos, todo seu conhecimento técnico e habilidades interpessoais deixam de ser relevantes e elas se tornam apenas mais uma peça no tabuleiro.
Dessa forma, toda a subjetividade e experiência da pessoa é deixada de lado — e quem mais perde com isso é a própria empresa, que deixa de receber insights e novas ideias para seguir no que lhe é confortável, além de correr o risco de perder grandes talentos.
O que fazem, então, grandes líderes?
O papel de uma liderança, portanto, envolve dar a seus liderados o exemplo, a confiança, as orientações e as condições necessárias para que possam desempenhar suas atividades com dedicação e assertividade.
Alguns dos pilares para que isso efetivamente aconteça são:
· Escuta ativa: escutar, verdadeiramente, o que cada pessoa tem a dizer — abrir a mente, abrir o coração, estar disposto a dedicar-se ao máximo àquela conversa e a criar algo a partir dela.
· Alinhamento de expectativas, feedback e follow up: o diálogo é uma via de mão dupla. Assim como é de suma importância que a equipe saiba o que é esperado dela e receba orientações de como pode melhorar, também é fundamental que a liderança e a própria empresa sejam avaliadas. Dessa forma, ambos os lados evoluem.
· Empatia: o respeito só existe genuinamente quando conseguimos nos colocar no lugar de outra pessoa — para que isso aconteça, é preciso que exista empatia. A autoempatia também faz toda a diferença, já que através dela é possível ser mais gentil com seu próprio processo no cargo de liderança.
Ser líder envolve mais do que apenas esses três, é claro, mas sem eles uma liderança positiva não é possível. Quando realizo sessões de coaching ou mentoria com pessoas em cargo de liderança, esse conjunto sempre aparece. Através dele, nos tornamos mais humanos ao lidar com o próximo e é isso que caracteriza boas lideranças.
Como disse Roy T. Bennet em The Light in the Heart, “Escute com curiosidade. Fale com honestidade. Aja com integridade. O maior problema com a comunicação é que nós não escutamos para entender. Nós escutamos para responder. Quando nós escutamos com curiosidade, não escutamos com a intenção de responder. Nós escutamos pelo que está por trás das palavras.”
Portanto, se você está assumindo o desafio de tornar-se líder pela primeira vez, lembre-se de que suas ferramentas mais poderosas são as vêm de você mesmo: seu exemplo, suas habilidades de comunicação e sua empatia.